sexta-feira, 6 de abril de 2012


A NOVENA À DIVINA MISERICÓRDIA
(O DIÁRIO de santa Irmã Faustina)

"NOVENA à Misericórdia Divina que Jesus me mandou escrever e rezar antes da Festa da Misericórdia. Começa na sexta-feira santa.

Desejo que, durante estes nove dias, conduzas as almas à fonte da Minha misericórdia, a fim de que recebam força, alívio e todas as graças de que necessitam nas dificuldades da vida e, especialmente na hora da morte. Cada dia conduzirás ao Meu Coração um grupo diferente de almas e as mergulharás nesse oceano da Minha misericórdia. Eu conduzirei todas essas almas à Casa de Meu Pai. Procederás assim nesta vida e na futura. Por Minha parte, nada negarei àquelas almas que tu conduzirás à fonte da Minha misericórdia. Cada dia pedirás a Meu Pai, pela Minha amarga Paixão, graças para essas almas.


Primeiro Dia

Hoje, traze-Me a Humanidade inteira, especialmente todos os pecadores e mergulha-os no oceano da Minha misericórdia (...).

Ó onipotencia da misericórdia divina,
Socorro para o homem pecador,
Vós sois o oceano de misericórdia a de amor,
E ajudais a quem Vos pede humildemente.

Eterno Pai, olhai com misericórdia para toda Humanidade, encerrada no Coração compassivo de Jesus, mas especialmente para os pobres pecadores. Pela Sua dolorosa Paixão mostrai-nos a Vossa misericórdia, para que glorifiquemos a onipotência da Vossa misericórdia, pelos séculos dos séculos. Amém.


Segundo Dia

Hoje, traze-Me as almas dos sacerdotes e religiosos e mergulha-as na Minha insondável misericórdia (...).

A fonte do amor divino
Mora nos coraçoes puros,
Banhados no mar da misericórdia ,
Brilhantes como as estrelas, luminosos como a aurora.

Eterno Pai, dirigi o olhar da Vossa misericórdia para a porção eleita da Vossa vinha:
para as almas dos sacerdotes e religiosos. Concedei-lhes o poder da Vossa bênção e,
pelos sentimentos do Coração de Vosso Filho, no qual estão encerradas, dai-lhes a força da Vossa luz, para que possam guiar os outros nos caminhos da salvação, e juntamente com eles cantar a glória da Vossa insondável misericórdia, pelos séculos eternos. Amém.


Terceiro Dia

Hoje, traze-Me todas as almas piedosas e fiéis e mergulha-as no oceano da Minha misericórdia (...).

As maravilhas da misericórdia sao insondáveis;
Nem o pecador nem o justo as entenderá;
Para todos olahis com o olhar da compaixao
E a todos atraís para o Vosso amor.

Eterno Pai, olhai com o olhar da Vossa misericórdia para as almas fiéis, como a herança do Vosso Filho. Pela Sua dolorosa Paixão concedei-lhes a Vossa bênção e cercai-as da Vossa incessante proteção, para que não percam o amor e o tesouro da santa fé, mas com toda multidão dos Anjos e dos Santos glorifiquem a Vossa imensa misericórdia, por toda a eternidade. Amem.


Quarto Dia


Hoje, traze-Me os pagãos e aqueles que ainda não Me conhecem e nos quais pensei na Minha amarga Paixão. O seu futuro zelo consolou o Meu Coração. Mergulha-os no mar da Minha misericórdia (...).

Que a luz do Vosso amor
Ilumine as trevas das almas!
Fazei que essas almas Vos conheçam
E glorifiquem a Vossa misericórdia, juntamente conosco!

Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas dos pagãos e daqueles que ainda não Vos conhecem e que estão encerrados no Coração compassivo de Jesus. Atraí-as à luz do Evangelho. Essas almas não sabem que grande felicidade é amar-Vos. Fazei com que também elas glorifiquem a riqueza da Vossa misericórdia, por toda a eternidade. Amém.


Quinto Dia

Hoje traze-me as almas dos cristãos separadas da unidade da Igreja e mergulha-as
no mar da Minha misericórdia (...).

Mesmo para aqueles que rasgaram o manto da Vossa Unidade
Flui do Vosso Coraçao uma fonte de compaixao;
A onipotencia da Vossa misericórdia, ó Deus,
Pode tirar também essas almas do erro.

Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas dos nossos irmãos separados que esbanjaram os Vossos bens e abusaram das Vossas graças, permanecendo teimosamente nos seus erros. Não olheis para os seus erros, mas para o amor do Vosso Filho e para sua amaga Paixão, que suportou por eles, pois também eles estãp encerrados no Coração compassivo de Jesus. Fazei com que tqmbém eles glorifiquem a Vossa misericórdia poe todos os séculos eternos. Amém


Sexto Dia


Hoje, traze-me as almas mansas e humildes, assim como as almas das criancinhas
e mergulha-as na Minha misericórdia (...).

A alma verdadeiramente humilde e mansa
Já respira aqui na terra o ar do paraíso,
E o perfume do seu coraçao humilde
Encanta o próprio Criador.

Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas mansas, humildes e para as almas das criancinhas, que estão encerradas na mansão compassiva do Coração de Jesus. Estas almas são as mais semelhantes a Vosso Filho. O perfume destas almas eleva-se da Terra e alcança o Vosso Trono. Pai de misericórdia e de toda bondade, suplico-Vos pelo amor e predileção que tendes para com estas almas: abençoai o mundo todo, para que todas as almas cantem juntamente a glória à Vossa misericórdia, pelos séculos eternos. Amém


Sétimo Dia


Hoje, traze-Me as almas que veneram e glorificam de maneira especial a Minha misericórdia e mergulha-as na Minha misericórdia (...).

A alma que glorifica a bondade do Senhor
É por Ele especialmente amada;
Ela está sempre próxima da fonte viva
Ebebe as graças da misericórdia divina.

Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que glorificam e honram o Vosso maior atributo, isto é, a Vossa insondável misericórdia. Elas estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Estas almas são o Evangelho vivo e as suas mãos estão cheias de obras de misericórdia; suas almas repletas de alegria cantam um hino da misericórdia ao Altíssimo. Suplico-Vos, ó Deus, mostrai-lhes a Vossa misericórdia segundo a esperança e a confiança que em Vós colocaram. Que se cumpra nelas a promessa de Jesus, que disse: As almas que veneram a Minha insondável misericórdia, Eu mesmo as defenderei durante a sua vida, e especialmente na hora da morte, como Minha glória. Amém


Oitavo Dia


Hoje, traze-Me as almas que se encontram na prisão do Purgatório e mergulha-as
no abismo da Minha misericórdia (...).

Do terrível ardor do fogo do purgatório
Ergue-se um lamento das almas a Vossa misericórdia;
E recebem consolo, alívio e conforto
Na torrente derramada do Sangue e da Água.

Eterno Pai, olhai com misericórdia para as almas que sofrem no Purgatório e que estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Suplico-Vos que, pela dolorosa Paixão de Jesus, Vosso Filho, e por toda a amargura de que estava inundada a sua Santíssima Alma, mostreis Vossa misericórdia às almas que se encontram sob o olhar da Vossa justiça. Não olheis para elas de outra forma senão através das Chagas de Jesus, Vosso Filho muito amado, porque nós cremos que a Vossa bondade e misericórdia são incomensuráveis. Amém


Nono Dia


Hoje, traze-Me as almas tíbias e mergulha-as no abismo da Minha misericórdia (...).

O fogo e o gelo nao podem ser unidos,
Porque ou o fogo se apaga, ou o gelo se derrete;
Mas a Vossa misericórdia, ó Deus,
Pode auxiliar indigencias ainda maiores.

Eterno Pai, olhai com Vossa misericórdia para as almas tíbias e que estão encerradas no Coração compassivo de Jesus. Pai de Misericórdia, suplico-Vos pela amargura da Paixão de Vosso Filho e por Sua agonia de três horas na Cruz, permiti que também elas glorifiquem o abismo da Vossa misericórdia... Amém" (Diário 1209-1228).



NOVENA
"O Senhor me disse para rezar o Terço [da misericórdia]
por nove dias antes da Festa da Misericórdia (...)

Através desta novena concederei às almas toda espécie de graças" (Diário 796)
.

FONTE: http://jesus-misericordioso.com/novena-festa-divina-misericordia.htm

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Conversa com Jesus numa tarde de Sexta-feira Santa

A tarde cai por detrás da serra, a luz se esvai no clarão do mar.

Você, Jesus carregou – você mesmo – a cruz às costas (Jo 19,17). É como se visse Abraão e Isaac subindo o monte Moriáh. “Meu pai, aqui estão o fogo e a lenha. Mas onde estará o cordeiro para o holocausto?” (Gn 22,7). Deus providenciará! Subiu o pai, repetindo, para si mesmo. A cada passo, uma nova repetição. A cada nova repetição, uma força a mais para se apegar ao impossível.

Agora, Jesus, é a sua vez de repetir: O Pai providenciará. Mas, e se o Pai se cala: silencia toda palavra, todo gesto, toda intenção? Naquele oceano de dor, o que mais lhe doía era a ausência de quem sempre esteve lá e não poderia deixar estar, justo ali?“Por que me abandonaste?” (Mt 27,46). Onde estaria o cordeiro para o holocausto? Onde Pai? Você, meu Filho, você é o cordeiro.

Faltem-me todas as presenças. Esvaziem-se todas as vozes. Quanto mais funda se tornar a areia sob meus pés, quanto mais cortante for o vento, quanto mais cerrado o nevoeiro, ainda mais nítida se torne sua voz, com uma palavra única, uma palavra só, e somente esta: Sou eu, não temas! São seiscentos metros desde o horror do pretório ao horror do Calvário. Pouco, para quem caminha em vida. Muito, para quem se arrasta à beira da morte. Mas eu peço: não pare, Senhor.

Nem desça da cruz, por favor. Não se permita não alcançar o fim. Que será de nós se esse rio não desaguar no mar? Deixe que se arrastem as três intermináveis horas. Espera o fel para os seus lábios. Oferece o lado para o rasgão bendito. Fique até o fim. Mostre ao mundo a distinção essencial entre acabar e consumar-se. Não tivemos água para sua sede. Não tivemos ombro para o seu cansaço. Não tivemos remédio para sua dor. Algum dia, tivemos algo mais do que vinagre? Que lugar ocupamos na distância que lhe trouxe até esse topo de colina? Quem fomos ao longo desse caminho amargo: a Mãe, Cireneu, Verônica, as mulheres, Pedro, os soldados?

Agora, Senhor, descanse seu sono, breve como a aragem da manhã. Você foi além do esperado, do previsível, do prometido. Já o sol se põe, lá longe. As espigas dançam ao vento, douradas de luz, do mais lindo sol poente que já houve. Os homens ainda não sabem que estão libertos de antigas cadeias. Mas eu sei. Nós dois sabemos. Outros saberão. E, se um dia, sopros misteriosos apagarem todas as estrelas e a luz se apagar, e mãos invisíveis soltarem todas as tempestades... Se um dia, a desolação interior nos levar a exclamar: Por que me abandonaste?... É que chegou a hora da plenitude, a nona hora: a nossa hora. Estaremos prontos e seremos dignos? Até o fim?

“Das profundezas minha alma clama a ti. Deus meu, ouve o meu grito!” (Sl 129).

Você, Senhor, desceu até águas profundas e se afogou cercado de sombras. Mas nessa hora, ouviu-se a voz do Pai, que parecia ausente, se manifestar. Não era possível que a morte ocupasse o centro da sua vida e o vazio, o centro de tudo que você foi. Você arrastou consigo a miséria do mundo para o nada em que se viu convertido. Enfim, o Pai o chamou, e o ergueu e você está nas em Suas mãos. Tudo se consumou! Pelas rotas escuras da noite avança a aurora. Das entranhas da morte brota e cresce, ereta como o cipreste, a árvore da ressurreição. Ainda que outros digam que nada mudou, a mão do Pai se manifesta, e Ele diz à morte: Jamais terás a palavra final!

“O Senhor é o pastor que me conduz, nada me falta. Passarei os mais negros abismos, sem temer mal nenhum” (Sl 23).

Mais dia menos dia, terei também eu a chance única de dizer ao Pai, que a grande homenagem a ser a Ele prestada, é a de aceitar, todo dia e a cada instante, não poder ver um palmo diante dos olhos e, mesmo assim, confiar e prosseguir. Que rumo tomará minha vida? Não sei nem me importo. O Pai sabe: só isso importa.

Fui morto na cruz com Cristo. Vivo, mas já não sou mais eu que vivo: é Cristo quem vive em mim (Gl 2,19).

Acabou? Não! Apenas começou.

Agora, Senhor, é a hora das lâmpadas se encherem de óleo, das figueiras estéreis florescerem, da colheita, da festa de casamento e da dança. As cadeias irão se abrir, as espadas vão se enferrujar. Chegou, enfim, o dia de ver o Pai vestindo os lírios do campo e alimentando os pardais, pelas praças.

Que ao seu Nome, Jesus, todo joelho se dobre, no céu, na terra e sob a terra, e toda língua confesse, que só você é o Senhor, para a glória de Deus, o Pai. Amém!

+ Dom José Francisco Rezende Dias

Arcebispo Metropolitano de Niterói